História

A iniciativa da fundação da Casa de Saúde Câmara Pestana, partiu de um grupo do Ateneu comercial do Funchal, associação com uma vertente recreativa, cultural e educativa, criada em 1898, que queria honrar a memória do Dr. Luís Câmara Pestana.  Esta coletividade pretendia perpetuar o seu nome, erigindo um busto em sua honra, criando para tal uma comissão, integrada pelos seus sócios honorários. Contudo, considerando ser uma homenagem de reduzida dimensão, a comissão liderada pelo Visconde de Cacongo propôs a fundação de um estabelecimento para doentes mentais, (dos quais, grande maioria era sem abrigo pelas ruas do Funchal), no qual seria erigido o referido monumento.

Assim, a 28 de março de 1904, a comissão adquiriu a Quinta do Rochedo, localizada na freguesia de São Gonçalo, "num valor que ultrapassou os cinco contos e meio", doando-a posteriormente à Junta Geral do Distrito, a 10 de maio de 1904. Foi consagrado ao Dr. Câmara Pestana, a cuja memória foi erigido o busto, com a seguinte inscrição:

"ESTE MANICÓMIO FOI FUNDADO POR SUBSCRIÇÃO PÚBLICA E É

CONSAGRADO À MEMÓRIA DO ILUSTRE BACTERIOLOGISTA

MADEIRENSE DR. LUÍS DA CÂMARA PESTANA".

O "Manicómio" Câmara Pestana, designação pelo qual era conhecido, iniciou a sua atividade a 4 de abril de 1906, acolhendo homens, mulheres e crianças com perturbações mentais, alcoolismo, desvios de comportamento.

Em 1920, gerou-se uma polémica, divulgada nos meios de comunicação social, devido ao tratamento inadequado dado aos doentes, assim como, eram levantadas questões de ordem e segurança internas. O pessoal, a quem os doentes estavam entregues, tinha falta de competência para exercer a sua função. A Junta Geral deparou-se com problemas que careciam de resolução imediata, perante as críticas de vária ordem.

No intuito de acabar com a má gestão desta instituição psiquiátrica, a Junta Geral, reconhecendo que os serviços internos deveriam ser remodelados, ponderou a hipótese de entregar a Casa de Saúde aos Irmãos da Ordem de S. João de Deus, conforme notícia do Diário de Notícias da Madeira de 15.05.1920.

Urgia haver uma mudança na orientação do "Manicómio".

Em junho de 1922, os Irmãos de S. João de Deus, acabaram por ocupar as casas da Quinta do Trapiche, atualmente Casa de Saúde S. João de Deus. No ano de 1924 foram transferidos da Casa de Saúde Câmara Pestana trinta e oito doentes do sexo masculino.

Tendo conhecimento do trabalho realizado pelas Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, na Casa de Saúde da Idanha, e que foi visitada pelo Dr. Vasco Marques, deputado em Lisboa pela Madeira, foram desenvolvidos contactos com a Congregação, no sentido de entregar o "Manicómio Câmara Pestana," ao Instituto das Irmãs Hospitaleiras. Esta doação realizou-se na condição de ser mantida e nunca alterada a designação Câmara Pestana.

As Irmãs chegaram à Madeira no dia 4 de maio de 1925 e assumiram a direção da Casa, dia 9 de maio. Na altura, encontravam-se internadas trinta e duas doentes, mulheres e crianças. Estas últimas permaneceram até 1950, ano em que as Irmãs decidiram fundar o Centro de Reabilitação Psicopedagógica da Sagrada Família.

"Diz-se, que quando as Irmãs chegaram à Quinta do Rochedo, por já estarem acostumadas a lidar com casos de doentes difíceis, procuraram fazê-las sair dos quartos onde estavam enclausuradas. Contudo, pelo pouco uso, já nem as chaves davam a volta ao trinco dentro das fechaduras ferrugentas. Algumas portas tiveram de ser deitadas abaixo a golpes de machado".

Desde então, as Irmãs Hospitaleiras têm investido permanentemente na qualidade da prestação de cuidados, tanto ao nível das estruturas físicas como dos recursos humanos, com um impacto muito positivo na resposta humana e técnica às necessidades das doentes.